revista pasquinagem (PDF)

O medo à liberdade faz com que resgatemos a filosofia de Erich Fromm para que paradoxalmente possamos compreender o momento político que vivemos no Brasil. Para enfrentarmos essa onda conservadora da política fascista precisamos resgatar a ancestralidade de luta dos oprmidos desse território para romper com a ilusão de “que a história do Brasil é uma procissão de milagres.” Enfim, não precisamos de milagres e seus messias. A crise da pandemia, que é a própria crise do capitalismo, exige a reinvenção de uma nova humanidade.

Na segunda noite mais fria do ano, no dia 17 de maio, ocorreu uma reintegração de posse realizada na Rua Augusta, na região central da capital paulista. Foram cerca de 100 famílias desalojadas, nas quais 68 pessoas eram vulneráveis (criança, idoso ou deficiente físico). Temperatura chegou a 6° graus. Essa ação policial foi justificada pela Secretaria da Segurança Pública por uma resposta seca de que a polícia apoia o cumprimento da reintegração determinada pela justiça. Entretanto, os moradores insistiram no protesto contra a decisão judicial e pela truculência policial durante a desocupação. Entretanto, os jornais matinais televisivos colocaram em evidência o trânsito com mensagens de que a reintegração de posse criou tumulto e parou o transito na Rua Augusta, demonstrando que apesar da retidão da localização do despejo na Rua Augusta, na altura do número 440, em que móveis, eletrodomésticos e colchões ficaram espalhados pelas ruas, demonstra que apesar da compreensão da Corte Suprema que em outubro de 2021, frente a pandemia de 2019, as reintegrações de posse fossem prorrogadas diante da crise sanitária como ameaça aos direitos fundamentais à saúde, moradia, à dignidade e à vida humana. A imprensa insistiu em noticiar como uma desocupação atrapalhava o trânsito da cidade, em particular, em uma cidade em que a política do Governador João Dória em sua campanha de 2018, defendeu o slogan “Acelera São Paulo” que teve um efeito catastrófico no aumento de acidentes e mortes no trânsito.

EDITORIAL: PERUS ESTÁ AQUI
CONSELHO EDITORIAL
06
CADÁVER TROPICAL
VITO ANTICO WIRGUES
28
BUKOWSKIANA
WILLIS SANTIAGO GUERRA FILHO
46
PIER PAOLO PASOLINI E A FRAQUEZA DO INTELECTUAL DIANTE DA DESTRUIÇÃO
VINÍCIUS NICASTRO HONESKO
62
NEOLIBERALISMO NO CHILE: DE COBAIA A TUMBA DO MODELO
FRANCO ALEJANDRO LÓPEZ
78
NOTA SOBRE O TEXTO-BASE DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE/2022
ROMERO VENÂNCIO (UFS)
82
ADORNO E A RELAÇÃO COM A CRÍTICA DA ECONOMIA-POLÍTICA
JOSÉ YGOR DE ALMEIDA BARROS
84
XEPA: LEITURAS VISUAIS E JORNALÍSTICAS DAS FEIRAS LIVRES DE SÃO PAULO

GIULIA AVVENTURATO MATOS
98
BREVES REFLEXÕES SOBRE A TOMADA DO PODER NAZIFASCISTA E SUAS REPRESENTAÇÕES
EROS VIANA DE LIMA PENHA
132
ENTRE A CRUZ E A ESPADA?
POR UMA PRÉ-ANÁLISE POLÍTICA E IDEOLÓGICA DAS ELEIÇÕES DE 2022
FLO MENEZES
170
LUKÁCS E O REALISMO
CELSO FREDERICO
186
2019: A GREVE DE MASSAS
HÉCTOR MONDRAGÓN
200
CARTAZES DO EUGENISMO NAZISTA: OS INSTRUMENTOS QUE FORTALECERAM A IDEOLOGIA (1934-1944)
ARTHUR GUILHERME ARAGUES SERRA ALMEIDA
208
MARCUSE E O PASQUIM: NOTAS SOBRE UMA LEITURA CONTRACULTURAL
PAULO GLAYSON LIMA LOPES
230
LULA QUER UMA LAVA JATO HISTÓRICA PARA CHAMAR DE SUA
EMILIANO AQUINO
242
LAZARILHO DE TORMES: MISÉRIA, DESOBEDIÊNCIA E MANHÃ
RAFAEL BRONHARON CLEMENTE1
248
GÊNESES NARRATIVAS DO HIPERTEXTO
URBANO NOJOSA

Yo Pisare Las Calles Nuevamente
Pablo Milanés

Yo pisaré las calles nuevamente
De lo que fue Santiago ensangrentada
Y en una hermosa plaza liberada
Me detendré a llorar por los ausentes
Yo vendré del desierto calcínante
Y saldré de los bosques y los lagos
Y evocaré en un cerro de Santiago
A mis hermanos que murieron antes
Yo unido al que hizo mucho y poco
Al que quiere la patria liberada
Dispararé de las primeras balas
Más temprano que tarde sin reposo
Retornarán los libros las canciones
Que quemaron las manos asesinas
Renacerá mi pueblo de su ruina
Y pagarán su culpa los traidores
Un niño jugará en una alameda
Y cantará con sus amigos nuevos
Y ese canto será el canto del suelo
A una vida segada en La Moneda
Yo pisaré las calles nuevamente
De lo que fue Santiago ensangrentada
En una hermosa plaza liberada
Me detendré a llorar por los ausentes
Yo pisaré las calles nuevamente
De lo que fue Santiago ensangrentada
En una hermosa plaza liberada
Me detendré a llorar por los ausentes

A imprensa editorial imprime uma identidade, constrói uma consciência nacional mediada pela língua da política e do capital. Por isso as línguas desmancham-se no monoglodismo do mercado. A linguagem torna-se o espírito da cultura impregnada de valores de troca, demonstrando o predomínio do trabalho morto, que é o próprio capital, frente ao trabalho vivo. Portanto, como forma de resistência política, devemos nos descontaminar da linguagem do capital criando resistência com outras linguagens. Uma linguagem festiva, que expresse a superação do trabalho vivo frente ao capital. Enfim uma linguagem descapitalizada, desmonetarizada, desfinancializada, Enfim, uma linguagem telúrica, tradutória da polifonia dos corpos vivo com suas linguagens poéticas e eróticas.

Se pouco conhecemos a criação literária feminina do século XIX e início do XX, essa é uma realidade que vem sendo transformada cada vez mais graças ao investimento de pesquisadoras como Gabriela Simonetti Trevisan, autora do recém-lançado livro A escrita feminista de Júlia Lopes de Almeida (Intermeios, 2021). O trabalho é resultado da dissertação de mestrado da historiadora, que, defendida na Universidade Estadual de Campinas e orientada pela professora Margareth Rago, aborda a poética feminista nas obras da escritora carioca Júlia Lopes de Almeida (1862–1934).

PASQUINAGEM 20

O imaginário da viagem na literatura predominante nos poemas épicos, mas também fazem parte da prosa e poesia, que desvelam os valores, os códigos simbólicos, as tramas afetivas, as tragédias amorosas e choques culturais. Os relatos de viagens na literatura são estratégias discursivas para ampliar a percepção de mundo das personagens, comparando as traquinagens do imaginário popular até elementos dramáticos das migrações étnicas.

Os documentos da cultura revelam o cortejo de triunfo para justificar a cultura vigente como documento da barbárie e memória histórica dessa violência organizada das classes dominantes, revelando o documento da história dos vencedores como legítimos enaltecedores de glórias meritocráticas, independente da carnificina necessária para conquistar o botim da acumulação de capitais.

REVISTA PASQUINAGEM N. 19/ 2021

A busca por modelos políticos próprios para cada nação ou região foi uma forte marca do século XX. Do socialismo árabe ao socialismo africano, até as diversas formulações de adaptação do marxismo à realidade de cada país, passando pela Ideia Juche norte-coreana, sem falar nos variados nacionalismos das direitas mundiais, a palavra de ordem era buscar soluções políticas adequadas à realidade local. Conceitos como originalidade, adaptabilidade ou mesmo autenticidade eram valorizados no debate político, fosse por um desejo de autoafirmação nacional, fosse por um objetivo de proteger-se dos fogos cruzados da Guerra Fria. A correta consideração do conteúdo local deveria fazer parte

 periodicidade mensal: MAIO/2021

JACAREZINHO! Vinte e oito criminosos! A polícia insiste em criminalização das vítimas do massacre do Jacarezinho. Entretanto, ao menos treze vítimas não tinham qualquer relação com a investigação da operação chamada de EXCEPTIS que apurava o tráfico de drogas e o aliciamento de crianças e adolescentes da comunidade. Essa operação exceptis trata de uma ironia e afronta a resolução do Supremo Tribunal Federal, que em 2020, durante a pandemia de Covid-19 exigiu que possíveis operações policiais em favelas do Rio seriam “absolutamente excepcionais”, sob pena de responsabilização civil e criminal em caso de descumprimento da ordem judicial.

REVISTA PASQUINAGEM N. 16 2021

 periodicidade mensal: ABRIL/2021

 

Para Simondon, a ontogênese, se a quisermos explicar empregando uma contraposição cunhada por Heidegger, correlata àquela que denominou de “diferença ontológica”, entre ser e ente, seria de se referir ao ontológico, ao ser, e não ao ôntico, ao ente, pois com ela pretende indicar antes um processo que se dá com o ser, no ser, do que aquele que se orienta para a constituição de entes individualizados. É neste último sentido que ela apareceria tanto da perspectiva atomista, substancialista, em que tudo o que é e também deixa de ser resulta de um conjunto de elementos previamente constituídos, os átomos, ou as mônadas leibnizianas, como também daquela perspectiva aristotélica, do hilemorfismo, na qual tanto as formas como o substrato em que elas se imprimirão para dele destacar uma porção d

REVISTA PASQUINAGEM N. 15 2021

 periodicidade mensal: MARÇO/2021

Depois de 150 anos, a Comuna de Paris ainda é uma referência inescapável para a perspectiva de esquerda. Trata-se de um momento fundamental do aprendizado das lutas da classe representante da lógica onímoda do trabalho, aprendizado que, para nós, transformou-se em ensinamento. Lembre-se que, se até 1848 Marx analisava as revoltas e revoluções operárias comparando-as às revoluções burguesas, o ponto mais alto alcançado até então em termos revolucionários, após 1871 é a Comuna que se torna o novo parâmetro analítico revolucionário, pelo qual se podem medir os avanços e os limites de uma revolução

O ato de nascer é realmente um parto.
O processo de crescer, por sua vez é sempre dolorido, doem até os ossos quando o corpo vai mudando seu tamanho e formas.
Ao enfrentarmos o mundo estabelecemos com ele uma relação em que precisamos saber de nós para sobreviver a ele. O mundo é sempre vasto, com horizontes que se ampliam desde o berço e se espalham por todas as longitudes.
Ao escolhermos não confrontar o mundo, como acontece a alguns de nós e nos apequenamos, somos nós que ficamos cada vez menores e negamos as nossas potência humanas, negamos o adulto que habita a criança que deveríamos deixar de ser e aquilo que poderíamos realizar.

REVISTA PASQUINAGEM N. 11 2020

periodicidade mensal:OUTUBRO /2020

Na era Bolsonaro, declarar-se patriota designa automaticamente a um posicionamento político de ultra-direita. Nesse contexto, o amor ao patrimônio cultural, às riquezas naturais e ao povo – como consenso – está jogado às traças. O novo patriotismo veste a camisa do segregacionismo. Declara seu amor à pátria, mas desconhece a pluralidade de seres que a constroem. Governa para poucos, pois é de sua vontade enxergar e atender aos desejos de uma minoria. Nessa linha de raciocínio, Robert Kurz indica

REVISTA PASQUINAGEM N. 12 2020

periodicidade mensal:NOVEMBRO/2020

primeira e também principal revolução foi uma revolução essencialmente jurídica, jurídica e teológica, teológico-política, impulsionada pela união da tradição filosófica especulativa grega com aquela pragmática romana sob os auspícios da espiritualidade judaico-cristã. As revoluções modernas só serão possíveis por antes ter havido esta primeira, cuja realização exitosa demonstra haver a possibilidade mesma de se realizar velozmente transformação tão profunda e universal como propõem as revoluções, como também é a própria ideia de modernidade que será gestada nesta primeira revolução, ao provocar esta alteração tão inédita, inaudita, quanto radical, na forma mesmo como se percebe a relação mais fundamental dentre todas, que é a nossa relação com o tempo.

REVISTA PASQUINAGEM N. 13 2020

periodicidade mensal: DEZEMBRO /2020

Ética, direito, política, ciência, artes e até religiões podem (e devem, urgentemente) convergir, sobretudo em sociedades pós-tradicionais, multi-ideológicas e secularizadas como as que se modernizam, desde que forjemos uma equação, que é política, por democrática, pela qual se combinem, otimizadamente, o respeito à diversidade de concepções, éticas, sobre o que seja o bem a ser perseguido e, logo, o bem viver, com a busca de uma unidade, política, sobre o que seriam malefícios para a convivência, a vida em comum, a que somos obrigados a ter..

REVISTA PASQUINAGEM N. 10 2020

periodicidade mensal:OUTUBRO/2020

Mestiçagem não é apenas cruzamento de raças, mas muito mais:
interação entre objetos, coisas, formas, linguagens e imagens da cultura. A mestiçagem não opera por
fusão, que apaga as diferenças, nem por mero reconhecimento das diversidades, que as mantém isoladas.

REVISTA PASQUINAGEM N. 09 2020

periodicidade mensal:SETEMBRO/2020

Toda fala é como se fosse um
fóssil de poesia. A gente não pega, às vezes, pedra, calcário, que tem peixe
incrustado? A gente deve pegar a fala, do povo, a fala milionária do povo, a fala das pessoas, abrir um orelhão enorme e tentar captar, na
experiência vivida e nos livros, fundir esses códigos, em vez de excluí-los, transitar entre eles.

REVISTA PASQUINAGEM N. 08 2020

periodicidade mensal: AGOSTO/2020

Le langage nous a faculté un
extraordinaire upgrade noétique: l’élargissement et l’éclaircissement
de nôtre conscience. Mais la conscience humaine a une autre source, plus primitive et vitale, affective.

REVISTA PASQUINAGEM N. 07 2020

periodicidade mensal: JULHO/2020

A cumplicidade com o discurso de ódio revela a patologia social da cultura de gado, que ao ruminar o ódio, envenena-se. O clima político da eleição de 2018 ainda perdura e mascara a incompetência da política administrativa desse desgoverno, que ainda respira os delírios de 64.

REVISTA PASQUINAGEM N. 06 2020

periodicidade mensal: JUNHO/2020

Essas redes tornaram-se mecanismos de asfixia, em que as criaturas do capital e da natureza revelam
o esgotamento irracional desse sistema econômico de prover a vida, numa volta mítica de significados às suas ressignificações futuras, revelando-nos o obscuro demoníaco desse saber que, ao iluminar-escurecendo, ofusca a sabedoria solar dos
excluídos do mundo.

REVISTA PASQUINAGEM N. 05 2020

periodicidade mensal: MAIO/2020

Para os índios Timbiras, a
passagem da morte torna-
-se uma condição de transformação, uma forma de
inversão da personificação
de um corpo na busca de seus semelhantes numa outra vibração do que é
a vida. Nessa passagem impregnada de
rituais, em que o choro deve ser substituído pelo canto, como aceitação da
morte.

REVISTA PASQUINAGEM N. 04 2020

PERIODICIDADE MENSAL: ABRIL 2020

EDIÇÃO ESPECIAL

Eis que parece termos chegado a uma tal encruzilhada histórica. O vírus da Covid-19 é apocalíptico, ou seja, literalmente, revelador, e sendo revelador, também literalmente, em grego clássico, o que revela é a verdade, alétheia.

REVISTA PASQUINAGEM N. 03 2020

PERIODICIDADE MENSAL MARÇO 2020

Em vão. Olouó desceu ao abismo. Viu o abismo e a fauna humana que nele
habita. Depois de milênios, quer recuperar seu
cetro, necessita conciliar-se definitivamente com o Pai Orunmilá. Como Ifá, pela primeira vez, não esperou que o consultassem.